Entrevista com Vanessa Duarte

Vanessa Duarte, 30 anos, nascida e criada na Tapada, casada e mãe de dois filhos. Licenciada em Contabilidade e Fiscalidade, lançou-se aos 22 anos como empresária em Almeirim, onde se mantém até aos dias de hoje. Possui experiência autárquica, pois é ainda presidente da Junta de Freguesia da Póvoa da Isenta, eleita pela CDU. Até ao fecho desta edição, não suspendeu o seu mandato nem apresentou pedido de demissão. Vanessa considera-se dedicada, dinâmica, empreendedora e possuidora de uma grande sensibilidade social

O que a motivou a aceitar o desafio do PSD/ MPT para ser a cabeça de lista à Câmara de Almeirim?

Sou uma pessoa que não receia desafios difíceis e após alguma reflexão aceitei o convite pensando acima de tudo nos cidadãos do concelho de Almeirim e nas suas necessidades. A minha Família Paterna é da Tapada, onde nasci e cresci e sempre tive paixão por esta terra, razão pela qual foi cá que desenvolvi a minha atividade empresarial e estou disponível a abraçar mais este projeto.

Ficou surpreendida com o convite de Nuno Fazenda?

Não. Antes do Nuno falar comigo fui “sondada” por outras pessoas ligadas ao PSD, por isso quando ele me abordou eu já previa que viesse um convite nesse sentido.

Quais são as principais linhas de atuação da coligação Inovar Almeirim, ou seja, quais são os principais destaques do vosso programa eleitoral?

O nosso programa assenta em três pilares base e estruturantes para o concelho: A criação de emprego, Educação dos nossos jovens e o Apoio aos mais idosos e desfavorecidos. Não descurando o meio ambiente e os animais.

Como justifica a mudança de um projeto autárquico apoiado pela CDU para um projeto autárquico apoiado pelo PSD e pelo Movimento Partido da Terra?

A realidade hoje é muito diferente daquilo que era há 20 ou 30 anos. Os jovens estão muito afastados da política e aqueles que vão participando, não a vêem de forma clubística e participam porque querem contribuir para melhorar alguma coisa. Não me refiro obviamente aos que ingressam nas juventudes partidárias. Sou independente, nunca fui nem sou filiada em qualquer partido político. Na vida tenho-me movido por causas e projectos. Há oito anos atrás, com apenas 22 anos fui convidada para um projeto que para mim era novidade e interessante. Estava naquela fase de querer mudar o mundo e a oportunidade de poder mudar algo foi-me oferecida. Reconheceram-me valor e competência e acabei assim por vir a ganhar a junta há 4 anos. Atualmente com outra idade, outra maturidade, com experiência autárquica e provas dadas na gestão da freguesia, surgiu-me este convite do Nuno Fazenda. Um projeto que eu abracei desde o primeiro dia e que com muito orgulho tenho trabalhado por ele, pois estou em total sintonia com as ideias e a visão que esta equipa tem para o concelho de Almeirim.

Não devia ter pedido a demissão da junta?

Não. Eu tenho como princípio de vida nunca deixar nada a meio. Quando assumo um compromisso é para o levar até ao fim.

Os eleitores não podem achar estranho ter em 2013 estado próximo da CDU e agora do PSD?

Esta questão já foi tão falada. No início quando foi publicada a notícia nos vários jornais e principalmente pela forma como foi noticiada, sei que se questionaram um pouco. Mas na presente data essa questão está ultrapassada. A justificação já lha dei numa resposta anterior.

Onde é que a sua experiência enquanto presidente de uma Junta de Freguesia pode ser útil no desempenho de funções no executivo de uma Câmara Municipal?

No saber ouvir, apoiar e agir. O convívio diário com as dificuldades, carências e necessidades das pessoas trouxe-me a verdadeira experiência. Aprendi a gerir em prol das pessoas.

Quais são as expectativas da coligação Inovar Almeirim para este ato eleitoral?

Ambicionamos a vitória, como é obvio e é para isso que trabalhamos, embora olhando ao histórico saibamos não ser fácil. É imperativo termos mais vereadores, de forma que mesmo estando na oposição, a nossa voz possa ser ouvida e o concelho sair a ganhar.

Gostava que Manuel Sebastião integrasse a lista do Inovar Almeirim?

Não conheço muito bem o Sr. Manuel Sebastião mas certamente seria uma mais valia, contudo, esse cenário dificilmente se colocaria, pois tendo sido eu a pessoa escolhida para encabeçar a lista não se poderia, até por uma questão de respeito, pedir a um anterior candidato que ocupasse uma posição secundária.

Se não ganhar as eleições mas for eleita, tomará posse?

Parece que me está a vaticinar um cenário negro. Porque razão não seria eleita? Apresento um programa que vai ao encontro das necessidades do concelho, possuo uma equipa competente, dinâmica e plena de capacidade. Argumentos suficientes para despertar à participação os indecisos e abstencionistas das últimas eleições, e acima de tudo, o PSD em Almeirim tem expressão e deve-se respeitar esse eleitorado. Mas reportando-me à sua questão, eu honro sempre os meus compromissos, pelo que, mesmo não vencendo, é obvio que tomarei posse.

Acha que neste cenário até podia ter pelouros atribuídos por quem ganhar? Quais?

Acho que sim, independentemente do pelouro. Seria uma forma de envolver e responsabilizar a oposição.

O Inovar Almeirim não tem tido muitos contactos, pelo menos que se saiba, com os eleitores. Ainda assim, que indicações lhe dá o eleitorado?

Se se refere a ingressões pela rua em campanha, isso não temos feito, pois legalmente o período de campanha ainda não começou e nós decidimos cumprir rigorosamente com a lei. Na data própria iremos sair para a rua e fazer a nossa campanha. Mas temos reunido com muitos grupos de cidadão e algumas empresas apresentando as nossas ideias e colhendo sensibilidades. Inicialmente as pessoas não associavam o nome à minha pessoa, mas hoje identificam logo até pelo conhecimento que têm da minha empresa. O meu projeto para Almeirim assenta num conjunto de ações estruturantes, onde todos concordam ser imperativo que existam e neste sentido as reações têm sido bastante positivas.

Considera que Pedro Ribeiro já entrou em campanha há muito tempo?

O Pedro Ribeiro está em campanha há dezenas de anos e de forma mais intensa desde o primeiro dia que tomou posse como presidente. Não podemos esquecer que todos os dias somos “bombardeados” com e-mails, mensagens, publicações no Facebook das pequenas coisas que faz, das que pensa fazer e não faz, dos sítios onde vai. Até ações realizadas por outros ele publicita com sendo dele. Têm sido quatro anos de autopromoção constante.

É o PS o maior adversário?

Quando se está no poder com maioria absoluta há mais de 30 anos, já não existe a sensibilidade para fazer algo de novo, evoluir e melhorar. Cada mandato é igual ao anterior, e num mundo em constante mutação, quem perde é o concelho. Nós apresentamo-nos como INOVAR ALMEIRIM, pois pretendemos exatamente o contrário, alargar horizontes, trazer ideias novas, gentes novas, empregos novos e obviamente teremos como principal adversário a inatividade, o acomodar, por isso o PS é o nosso maior adversário.

Como avalia o trabalho da maioria socialista?

Considero que tem sido feito muito pouco pelo concelho e pela população. O trabalho realizado resumiu-se a uma prática de gestão corrente dos dinheiros públicos e, nesse ponto, afirmo que não tem sido mal feita. Sabemos contudo que do mandato anterior existia folga financeira para reduzir dívida, realizar alguns investimentos e ainda assim castigou-se a população não baixando a taxa do IMI e do IRS, sendo Almeirim dos poucos concelhos do país com as taxas máximas. Almeirim hoje está quase igual há quatro ou oito anos, sem novas empresas e empregos, com os pais a queixarem-se da qualidade do ensino e da alimentação fornecida nas escolas, com as valas e ribeiras descuidadas, com maior número de idosos em estado de abandono e animais circulando em matilhas pelas nossas ruas

2017@almeirim2017.com'

Fundador do Almeirim 2013 e Almeirim 2017. Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Responsável de comunicação de uma federação desportiva. Colabora ainda com meios de comunicação ligados à politica nacional, ao ténis e à tauromaquia.

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