Entrevista com Sónia Colaço

Sónia Isabel Campos Colaço é a cabeça de lista da CDU à Câmara Municipal de Almeirim. Tem 39 anos, é licenciada em Biologia e Mestre em Gestão e Conservação da Natureza. Atualmente é vereadora da CDU na Câmara Municipal de Almeirim. Sónia Colaço exerce as funções de Assessora no Grupo Municipal do PEV de Lisboa e é membro da Comissão Executiva do Partido Ecologista Os Verdes.

É a única vereadora da oposição a recandidatar-se a um segundo mandato. De que forma é que se materializa essa continuidade do projeto da CDU, ainda que na oposição?

A CDU tem um projeto político próprio para o Poder Local Autárquico, independentemente de estar ou não na oposição, sendo o objetivo principal servir as populações, com sentido de serviço público. Acredito que somos uma força necessária tanto para o concelho como para o País.

Que conquistas destaca da sua atuação enquanto oposição em Almeirim nos últimos quatro anos?

Foi importante para Almeirim a presença da CDU nos diferentes órgãos autárquicos. Empenhámo-nos na proteção do património histórico, apresentando propostas para a defesa e valorização do túnel do Paço Real, junto do mercado municipal, cujo estado de degradação foi reconhecido pela Câmara que prometeu intervir, não o tendo feito até agora, assim como as ruínas do Paço Real da Ribeira de Muge, em Paço dos Negros. Estivemos com a população e os utentes do Centro de Saúde na luta por mais médicos de família, promovendo um abaixo-assinado que recolheu mais de 5 mil assinaturas. Denunciámos a existência de amianto nas instalações das extensões de saúde de Benfica do Ribatejo e de Fazendas de Almeirim, obrigando à sua recuperação. Na Assembleia Municipal fizemos aprovar uma moção de protesto contra os atrasos na entrega do correio, provocados pelo encerramento e mudança para Santarém do Centro de Distribuição dos CTT e manifestamos a solidariedade para com os trabalhadores que tinham sido transferidos. Fizemos também aprovar uma moção em defesa da gestão pública da água onde reafirmamos ser importante blindar os estatutos da empresa Águas do Ribatejo por forma a não poder ser privatizada. Aprovaram-se os regulamentos para atribuição de subsídios e apoios às coletividades desportivas e às associações culturais do concelho, há muito propostos e defendidos pela CDU, tendo sido a única força política a dar contributos, durante o processo de consulta pública dos mesmos. Propusemos a redução dos impostos, em particular os que incidem sobre as famílias e as micro, pequenas e médias empresas, que não foram atendidas. Porém a Câmara reduziu por antecipação o endividamento, demonstrando que tinha capacidade financeira para suportar as reduções propostas.

Quais são as prioridades da CDU para o quadriénio 2017 – 2021?

A CDU elegeu como grandes áreas de intervenção, a saúde, a educação e cultura, o desenvolvimento económico, o urbanismo e o ambiente. Propomo-nos defender Almeirim como um concelho dinâmico, inovador, defensor do ambiente e com uma visão de futuro, fatores essenciais para melhorar a qualidade de vida dos seus habitantes. É prioritário apostar num desenvolvimento económico sustentável e para isso acontecer temos de ser atrativos tanto para as empresas como para as pessoas. Temos de estancar a saída dos nossos jovens para outros locais, nomeadamente por não terem aqui trabalho. A médio prazo, essa “fuga” terá consequências dramáticas para o concelho. A melhoria da assistência médica é outra das nossas prioridades, assumindo particular importância a população infantil e sénior. Defendemos serviços públicos de proximidade e o acesso à proteção social, à habitação e à mobilidade. Defendemos que para haver um desenvolvimento sustentado, é necessário cuidar muito bem do urbanismo e do ambiente, aspetos que são atualmente tratados de uma forma desregrada e pouco profissional. Há muitos anos que defendemos ser urgente a revisão do PDM, é uma prioridade. Lutaremos para que se concretize.

Almeirim tem sido palco de sucessivas maiorias absolutas do PS. A CDU é uma das forças de oposição que tem marcado sempre presença no executivo. Considera que, caso se repita a vitória do PS, mas sem maioria, isso seria mais benéfico para Almeirim? A CDU estaria disponível para viabilizar esse executivo?

Não tenho dúvidas de que o reforço da votação na CDU poderia contribuir para um novo rumo do trabalho autárquico e abrir caminho para novas soluções que dariam uma maior qualidade de vida aos Almeirinenses.

Quais são as expectativas da CDU para este ato eleitoral?

Temos estado sempre presentes nos vários órgãos autárquicos. Em algumas freguesias, nomeadamente em Benfica do Ribatejo e Fazendas de Almeirim já fomos executivos, com obras realizadas que ainda hoje todos se recordam. Temos portanto como naturais expectativas o aumento da votação por forma a ter mais eleitos.

Porque não se uniu toda a esquerda em torno desta candidatura? Onde está o Bloco ? E o MICA?

A CDU tem estado presente em todos os atos eleitorais com um projeto próprio. Os seus eleitos e ativistas são reconhecidos pelas lutas que têm travado em prol de Almeirim. Quanto às outras forças terá de lhes colocar a questão a eles.

Tentaram aproximações ou sondagens?

Para haver aproximações há que perceber se existem ou não condições para o fazer. Na nossa análise não percecionamos que houvesse. Nomeadamente no caso do MICA, um grande número dos seus integrantes passaram-se para a coligação PSD/MPT, a começar pelo cabeça de lista à Assembleia Municipal assim como os atuais eleitos neste órgão.

O PS parte como favorito?

Admito que sim. É normal que quem está no poder, com maioria absoluta, parta com vantagem, pelos meios que tem à sua disposição, pela visibilidade natural que vai tendo nos órgãos de comunicação e porque mal ou bem pode concretizar alguns objetivos.

Se não ganhar as eleições mas for eleita, tomará posse?

Na CDU temos por princípio honrar os compromissos que assumimos, pelo que ao dar a cara novamente como cabeça de lista à Câmara Municipal estou disponível para o que a população do nosso concelho entender ser importante, tal como o fiz em 2013.

Acha que neste cenário até podia ter pelouros atribuidos por quem ganhar? Quais?

Isso está dependente de vários fatores, nomeadamente da vontade de quem ganhar e decorrente das condições que se apresentarem na altura. Como diz o provérbio “ao pé do pano é que se talha a obra”.

A CDU tem tido alguns contactos com os eleitores. Que indicações lhe dá o eleitorado?

As pessoas conhecem-nos e temos sentido bastante recetividade. É importante ouvir todos quantos queiram fazer de Almeirim um concelho com futuro. Dia 1 de outubro teremos essa oportunidade dando mais força à CDU.

Considera que Pedro Ribeiro já entrou em campanha há muito tempo?

Mas isso não é óbvio? Se se perguntar a qualquer almeirinense certamente responderá que sim.

É o PS o maior adversário?

O maior adversário é a abstenção. É importante mobilizar as pessoas, nomeadamente os jovens, para que tenham consciência que com o seu voto estão a determinar o seu futuro, não permitindo que sejam outros a fazê-lo no seu lugar. A participação ativa é o caminho para uma democracia saudável.

Como avalia o trabalho da maioria socialista?

Se tivermos em conta que existe uma maioria absoluta seria de esperar mais. Com a mudança de presidência era expectável que houvesse uma mudança nas escolhas da maioria. Como já o disse, não houve a mudança que Almeirim precisava. Perdeu-se uma oportunidade de alterar a maneira de fazer política

2017@almeirim2017.com'

Fundador do Almeirim 2013 e Almeirim 2017. Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Responsável de comunicação de uma federação desportiva. Colabora ainda com meios de comunicação ligados à politica nacional, ao ténis e à tauromaquia.

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