Independente sou eu

Nos dias que vão correndo, e em linha com os recentes sucessos políticos do país, também a Almeirim, agora pela mão do PSD, nos chegam as maravilhas da política real e pragmática. Entendamo-nos pois: não falamos de soluções práticas em detrimento das ideologias, mas sim de uma salganhada ideológica que começou há quase 8 anos.

Ficámos a saber há semanas pela comunicação social, com choque generalizado de todos os que ainda prestam caso a tudo isto, que a opção do PSD Almeirim para candidato recai num nome “independente”. Pelo que se percebeu, ainda com detalhes por apurar, a candidata do partido mais votado à direita do PS, é uma senhora presidente de junta eleita como independente da CDU. Digo independente da CDU por questão de precisão. Afinal de contas, e esta sim é a novidade digna de registo: no PSD actual há mais que muitos independentes.

A surpresa não é assim, por isso e por tudo o que fomos vendo, nem tão grande nem tão chocante. Se olharmos com atenção, ou até mesmo sem atenção, para a lista que aí vem, contamos pelos dedos das mãos as pessoas que conhecemos do PSD. Estes, vemos agora com saudade, entregaram a chave do portão da quinta ao MICA, e ala que se faz tarde.

Quando os núcleos das concelhias se tornam independentes, quais Catalunhas da política autárquica, todas as convenções se esbatem e a estanquidade ideológica deixa de fazer sentido. Isto traz, não só alegria e novidade ao debate, como apimenta a curiosidade. É que agora ficamos todos, como bons regateiros da política, à espera dos restantes convidados. Quem virá do Bloco de Esquerda? Haverá alguém do PS? E de direita, não se encontra gente? Uma coisa é certa: do PSD só o cheiro mesmo, para não enjoar muito, que isso das ideologias é coisa do passado.

Posta a coisa em pratos limpos, e não perguntemos porquê, os MICAS, os independentes, os novos candidatos – chamemos-lhe como quisermos – entraram, viram e venceram. Duvidamos do resultado, mas gabamos a criatividade. A explicação é óbvia e forte: O MICA não alaranjou, até porque morreu. Foi o PSD que se deixou Micar até desaparecer, para mal dos entendimentos à direita, e de uma alternativa para Almeirim.

Share this Post[?]
        


One Responseto “Independente sou eu”

  1. xarneco1@gmail.com' Carlos Bento diz:

    Caro Diogo, o seu artigo revela muita acuidade sobre a situacao degradante da direita no nosso concelho a qual continua a dar todos os trunfos ao regime/sistema inplantado ja’ vao mais de trinta anos nao por merito proprio, mas por demerito da oposicao que continua a nao usar da persistencia e consistencia politica. Nas ultinas eleicoes tivemos uma lista que dificilmente podera’ ser igualada, em quantidade, qualidade, sem vicios e imaculada, ou mesmo subjugada a interesses partidarios, para alem da defesa do interesse da populacao, desde entao nao houve uma reuniao, um juntar do “rebanho” contar de armas a fim juntar o para projectar o futuro e depois como bem diz, o PSD aparece com uma candidata de extrema esquerda, tentando imitar o Costa, assim nao vamos la’, este PS, parte para as eleicoes como soi dizer-se no futebol, com muitos pontos de avanco. Sejamos francos: Nem os votos dos absentistas vao aparecer, nem os votos do PS vao mudar, neste caso dou plena razao ao pessoal que nao muda de “clube”

Leave a Reply