Inclusão ou Integração

Por definição, inclusão social é o conjunto de meios e ações que combatem a exclusão aos benefícios da vida em sociedade, provocada pelas diferenças de classe social, educação, idade, deficiência, género, religião, preconceito social ou preconceito racial. Em suma, é oferecer equidade.

Assim, a palavra “Inclusão” tornou-se quase imprescindível no discurso de educadores, sociólogos e políticos, vindo a substituir a palavra “Integração”. O que até algum tempo eram ações de “Integração”, evoluíram para “Inclusão”, entendendo-se que tem que haver um papel partilhado na sociedade; Que não é só o individuo que tem que procurar, que se adaptar, que se integrar, mas também as estruturas têm que assegurar uma mudança de práticas em função de uma aproximação ao individuo. Definir o que o individuo faz para se incluir e o que as estruturas fazem para o incluir.

Dado que hoje estou, pelo menos até ao fim deste mandato, intimamente ligado ao CRIAL, Instituição que todos os Almeirinenses conhecem e que a esmagadora maioria dos mesmos acarinha, vou expressar a minha opinião no que concerne à inclusão/integração de pessoas com necessidades educativas especiais e pessoas portadoras de deficiência, na sociedade.

Quando se ouve falar em negócios sociais inclusivos, em investimentos externos e incentivos a empresas privadas para que possam incluir alguma destas pessoas no mercado de trabalho, mesmo tendo em conta o desenvolvimento que foi trabalhado por técnicos, auxiliares e familiares, o que na realidade vemos é um crivo muito apertado para o emprego de pessoas portadoras de deficiência e um espectro muito alargado. A meu ver, há que criar medidas mais adaptáveis…o deficiente quer, esforça-se e adapta-se!

A atribuição de uma pensão de sobrevivência, que eu entendo, mas que nem sempre é para benefício de quem dela necessita, não é mais do que uma forma de passar ao lado da resolução do problema anterior e não é motivadora para a pessoa trabalhar… e, em muitos casos, não compra a necessidade de dignidade destas pessoas.

Para se ter consciência destas realidades e fazer boas leis tem de se ir ao terreno. As Instituições precisam de se sentir confiantes e estimuladas. Precisam que o Estado seja honesto, pragmático. Basta que cumpra as obrigações e não retire nada do que prometeu. Para que uma Instituição trabalhe só é preciso que o Estado não atrapalhe.

Ouvi há pouco tempo uma mãe, de uma pessoa portadora de multideficiência expressar, veementemente, a sua opinião sobre a necessidade de políticas integradoras e não de políticas inclusivas. Lamentava-se porque entendia e justificava, que nas estruturas educativas são estabelecidos Planos Educativos Individuais e Currículos Específicos Individuais com objetivos inatingíveis. Entre algumas situações que referiu, retive uma questão que deixou para reflexão de pais e professores – “Em vez da complexidade de PEI,s e CEI,s, de análises profundas, alguém se preocupou em perceber o que é que faz a felicidade destas pessoas? Porque é que não podemos escolher o estabelecimento de ensino para os nossos filhos? Às vezes é tão pouco… e fácil…”

Incluir? Integrar? Primeiro que tudo… ACEITAR

josecarlossilva@almeirim2017.com'

É presidente do CRIAL e do Orfeão de Almeirim, bem como maestro do Coro da Universidade Sénior de Almeirim. Foi vereador da Câmara Municipal de Almeirim e candidato à Junta de Freguesia de Almeirim em 2013, sendo actualmente membro da Assembleia de Freguesia. Foi ainda um dos membros fundadores do Grupo Sopa da Pedra.

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