Coligação de centro-direita: sim ou não?

Depois de se saber que existiram conversas entre as concelhias do PSD e do CDS-PP para a eventual formação de uma coligação, coloca-se aquela questão recorrente: fará sentido uma coligação de centro-direita concorrente às eleições autárquicas no concelho de Almeirim?

Se um projecto de coligação pode fazer sentido para Portugal, a nível local a apreciação não é assim tão linear. Almeirim é um município que vota à esquerda. De todas os actos eleitorais aqui realizados, o PS ou as candidaturas alinhadas à esquerda saíram sempre vencedores. Com as excepções das vitórias do PSD, em legislativas, quando Cavaco Silva foi candidato a primeiro-ministro ou na última eleição presidenciais. Isto é, o centro-direita apenas foi vencedor em Almeirim quando protagonizou uma candidatura alternativa, baseada num projecto credível.

Não sendo impossível uma vitória de uma candidatura à direita do PS, até porque não existem impossíveis, um bom resultado eleitoral torna-se mais difícil de obter quando os partidos entram numa longa hibernação após uma derrota. Sendo Almeirim um concelho sociologicamente virado à esquerda, onde o Partido Socialista construiu, ao longo dos anos, uma rede de influências nas mais diversas áreas da sociedade, se não houver, ao longo do tempo, um trabalho de oposição sério e credível, que passe a mensagem aos eleitores de que existe uma alternativa, a constituição de uma qualquer coligação dos partidos à direita, a pouco menos de seis meses das eleições autárquicas está, à partida, condenada à derrota.

Sejamos honestos! Uma candidatura autárquica que pretende ser alternativa à que se encontra no poder não pode, pura e simplesmente, dissolver-se após o acto eleitoral e aparecer quatro anos depois como se nada tivesse acontecido. Os eleitores podem estar desinteressados com a política, podem não comparecer às reuniões camarárias e às sessões das assembleias, mas estão atentos a estes pequenos (grandes) pormenores.

As concelhias do PSD e do CDS-PP até podem decidir que os seus partidos concorrem juntos nas próximas autárquicas. Mas devem fazê-lo numa perspectiva de médio/longo prazo, com um projecto alternativo e credível à actual governação do PS, pois s assim conseguirão alcançar frutos. Se concorrerem tendo apenas como horizonte este acto eleitoral então, para gáudio da actual maioria, irá continuar tudo na mesma.

Post Scriptum: Depois de ter redigido o presente texto e enviado para publicação, chegou ao meu conhecimento de que o PSD e o CDS-PP vão concorrer, às eleições autárquicas, em listas separadas. De qualquer das formas, este facto não invalida a minha opinião formulada no texto.

humbertoneves@gmail.com'

Foi presidente do PSD Almeirim entre 2004 e 2007 e candidato à Junta de Freguesia de Almeirim em 2005 e 2009. Integrou a Assembleia de Freguesia de Almeirim entre 2002 e 2013.

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  1. […] (publicado originalmente na página Almeirim 2017) […]

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